Um pouco sobre pessoas tóxicas

Muitas pessoas nos fazem mal, e muitas são também as formas, mesmo que nem percebamos. Sugam, nos sugam, nos tomam. Entre elas, lá, quase que se camuflando, estão elas, as pessoas tóxicas. Não aquelas que nos criticam abertamente e apenas para o próprio prazer, que o tempo todo tentam nos pôr para baixo, essas não. Essas são ainda muito óbvias. Porque o pior, quase sempre, é o silencioso, aquilo que não se dá atenção, que nem parece estar ali. Não é tóxico no sentido comunmente usado naqueles manuais de como se livrar de pessoas tóxicas espalhados internet a fora, nada tão amplo. Mas sim no sentido de que corrói aos poucos, invade, toma conta, lenta mas inexoravelmente.

Elas estão por todos os lados, cada vez mais. São aquelas para quem nada está bom, nada jamais será bom. Tudo é motivo de polêmica e crítica, por mais que seja apenas durante uma conversa de ponto de ônibus com um desconhecido, ou a aula do dia na faculdade. Não há palavras doces e nem lado positivo, apenas erros e culpados. Aliás, elas estão prontas para apontar e condenar o governo, o chefe, qualquer um em qualquer situação. E sempre há argumentos, para tudo. Argumentos infindáveis, embora por vezes demais falte consideração. Elas reclamam, resmungam e são campeãs em encontrar defeitos. Com elas, na maior parte das vezes, o assunto não pode simplesmente ser leve e alegre. Tem que haver algo a discutir, a problematizar, ou simplesmente a criticar mesmo.

Elas podem estar do seu lado, ou até falando com outra pessoa, mas parece que depois de um tempo o próprio ar se torna negativo, pesado. Pode causar desconforto, ou não, o que preocupa mais. Elas cutucam, provocam, querem que participemos. E o pior é que, às vezes, é tentador. Muito e perigosamente tentador. Eu tenho medo das pessoas tóxicas, porque temo me tornar uma delas. Medo de estar na beira desse precipício e não ser suficientemente forte para resistir, de já estar dia a dia me perdendo nesse caminho quase sem volta. Porque há dias em que é bem mais fácil ser assim. Mais cômodo, como se esconder. Exige menos esforço do que sorrir, pensar no lado do outro, fazer piada mesmo em um dia não tão bom. Eu tenho medo de parar de enxergar as coisas boas da vida e como tudo isso aqui é lindo, de parar de ser grata. De um dia ceder a esse meu lado obscuro e parar de ver o sol. Eu tenho mesmo medo da pessoa tóxica que há dentro de mim.

Retrospectiva 2015

Um beijo… Um brinde. Duas taças de Shampagne e uma dose de esperança. Recomeço. Vontade de fazer diferente. Dias calmos, calmos em demasia. Inércia, letargia, medo. Reencontro, ância por mais. Boas notícias, incredulidade, finalmente comemoração. Espera quase muito longa e noites quase sem fim. Quase desespero. Planos, roteiros imaginados,, expectativa. Imprevistos e previstos. Mudança, afinal.
Medo do que parece irreversível, e do que não parece, mas mesmo assim não tem jeito. E, principalmente, medo de aceitar. Velha intensidade, novas consequências. Pessoas partindo, pessoas chegando mas não permanecendo. Pessoas presentes, mesmo nos piores momentos. Despedidas reais e metafóricas, adaptação. Felicidade. Mãos dadas e carinho no cabelo. Abraço literalmente apertado e característico. Descobertas e redescobertas, autoconhecimento e pequenos grandes ajustes. Novas percepções e novas experiências. Primeiras vezes. Intimidade, satisfação. Aprendizado, vontade de fazer mais. Confusão interna e pedaços pelo caminho. Tempestades e conversas que lavam a alma.
Coisas simples, muito valor. Caldo de cana, vinho. Infinitas novidades. Livros, sempre livros. Novos estilos, reinvenção. Reconstrução. Mais uma vez encontros não concretizados, reencontros inesperados e tristes desencontros. Planos de lado, imaginação. Abandonos não intencionais. Viagens e retornos, de variados tipos. Procrastinação. Autocrítica, culpa justificada e irracional, anseio de ser melhor e melhor e melhor. Perfeccionismo inconveniente. Rancor, infelizmente. Ciúme louco, louco coração. Amor que preenche. Que transforma. Que faz amar mais. Sonhos, mais sonhos. Saudade das linhas e dos parágrafos. Saudade das palavras. Perdas, como sempre há. E tristezas, madrugadas de lágrimas.
Letras e histórias, começos. Conheci mais, me apaixonei mais. Vivi mais. Mais de tudo o que eu não tinha tido. Astrologia, novos vícios e novas fases. Saldo positivo. Amizade leal, diferentes sucessos. Momentos inesquecíveis. Crescimento, muito crescimento. Alguns objetivos alcançados, outros transformados e outros se tornaram dispensáveis. Energia boa, bons ventos, embora expectativas ao mínimo. Muito fica para trás, sim. Porque muito está por vir. Muito a realizar. Muito de tudo que for bom. Muito, porque eu quero tudo.

Eu, modo de usar

Pode vir sem medo, prometo. Mas tenha calma, em alguns dias mais do que em outros. Venha sempre, me encanta o que nasce aos poucos. Não se assuste, eu posso ser arisca, às vezes. Nada que um pouco de carinho não resolva. Aliás, me dê muito carinho. O tempo todo, se possível. Aquele carinho sutil, que quase passa despercebido, e diz, simplesmente, “Estou aqui”. Não grite, tente ser delicado… Sou meio frágil. Mas quando chegar a hora, aja. E me obrigue a ter um pouco mais de iniciativa, se for preciso. Sou distraída e dispersa, também. Caso seja necessário, me sacuda de volta ao mundo real. Ao mesmo tempo, nas situações em que me tornar muito racional e pessimista, sonhe um pouco comigo, também. Me faça sair algumas vezes, mesmo que eu me recuse. Mande em mim. Se for por uma boa causa, eu deixo. Me provoque, me irrite de um jeito bom, e depois ria. Mas não reclame se eu quiser me vingar. Perdoe meu mau humor, mas cobre uma compensação depois. Criatividade é sempre bom.

Deixe eu me cobrir no verão e tomar café frio no inverno. Mas não perca a piada, nem o controle. Quer dizer, perca o controle sim, faz parte. E perca a linha, quando estiver nos meus braços. Ache as coisas na minha bagunça, por favor. Releve a desorganização, principalmente a interna. Entenda que em alguns casos não quero conversar e não é nada com você. Mas se eu pedir para sair, fique mesmo assim, nem que em silêncio. Não precisa saber ler todos os meus sinais, só ajudar a construir os nossos. Eu gosto de significados. De datas, de presentes… E de surpresas. Me dê batons, mas só se for para borrá-los em seguida. E muitas vezes ainda. Seja menino, homem. Seja um pouco meu, muito seu e o que você quiser. Mas seja, sobretudo, constante.

Tenha preferências, manias e vontades peculiares, mas nada tão definido assim que não possa mudar. Defenda o que ama com fervor, eu gosto disso. E gosto de abraços apertados, de mãos dadas, de carícia no cabelo. Gosto de fazer coisas que você gosta, então me diga todas elas. Não, todas não. Melhor ainda, algumas posso descobrir muito bem sozinha. Beba, cante, desafine e me derreta. Declare-se nos detalhes… Mas fale também, afinal, eu sou uma romântica mal disfarçada. Se revele… Quero ver você nervoso, triste, precisando de algo que só eu tenho, quem sabe. Não brigue comigo pelas noites em claro, embora isso seja um tanto quanto negociável.

Tenha amigos e segredos bons. Tenha ciúmes, por que não? Mas aguente os meus, também. Goste de praia, de agitação e de festas. De brigadeiro de colher, de filminho em um dia gelado. De beijo roubado e aconchego com cafuné. Implique por causa de futebol ou qualquer outra coisa assim irrelevante, nada como uma discussãozinha saudável. Não fume, nem faça ciúmes. Não fuja de mim. Me ganhe, me enlouqueça do melhor jeito que há. Me abrace, enlace, entrelace e não solte mais. E se tudo isso for demais para você… Apenas tente me amar!

Nota: Assim como Esse aqui, esse post também foi inspirado por uma crônica da maravilhosa Martha Medeiros, de quem sou muito fã. Aprecie aqui

Colcha de retalhos

Eu sou o livro que li devido a indicações entusiasmadas, o que li com outra pessoa, o gênero desbravado após muita insistência.  A história preferida de uma pessoa próxima, o autor orgulhosamente apresentado por ela e todas as conversas que se seguiram sobre personagens e pontos de vistas. Sou o filme que assistimos naquela tarde de férias, o da madrugada e aquele que me fez chorar. Os artigos que compartilhamos, até mesmo os pouco úteis. Mas também as notícias, os textos melosos. As vezes em que tivemos conversas longamente reflexivas e os comentários que me fizeram enxergar além. Eu sou o gênero musical desconhecido, até aquele alguém chegar para me viciar nele. Sou a banda preferida daquele outro alguém, que depois de certo tempo passou a ser a minha também. As músicas que tentei interpretar, falando sério ou não, com tantas pessoas diferentes. Sou a canção que aquela pessoa cantava para mim, a que eu cantei para ela  e a que cantávamos juntas. A que ela me ensinou a gostar, me ajudou a odiar e me mandou em um determinado momento. Sou as músicas que até hoje canto, por causa de alguém ou para alguém. As nostálgicas melodias que estavam tocando naquele dia marcante, de propósito ou não.

Eu sou o jeito de falar das pessoas importantes para mim. As alterações leves na forma de se expressar, as manias pequenas que logo se tornam compartilhadas. Quase um sotaque inconsciente que às vezes surge nas sutilezas da convivência. Nossa linguagem secreta e as piadas particulares. Os vícios léxicos, as gírias que nós mesmos inventamos, os apelidos que me deram. Sou os assuntos que interessam as pessoas próximas, suas paixões, seu entusiasmo e sua força. Sou a confiança dos que me contaram segredos, a organização dos que tentaram me fazer ser menos bagunçada, o carinho dos que incentivam. A constância dos que aguentam a minha própria inconstância. Sou o contato de todos os dias, as coisas que passam despercebidas. O que aprendo, mesmo quando a intenção do outro não é ensinar. Sou as mudanças boas, o amadurecimento que contou com ajuda. E mais, tão mais.

A verdade é que eu sou uma colcha de retalhos, retalhos de outras vidas. Uma mixórdia desorganizada de lembranças, trechos de conversas, experiências. Um quadro rupestre  de emoções loucas e saudade. Mas, acima de qualquer coisa, eu sou um mosaico composto por outras pessoas. Por tudo o que elas me deram, me tiraram ou me ajudaram a construir. Seja em um papo sobre leituras, seja cantando a música que eu nem conhecia mas se tornou especial assim mesmo. Seja quando passamos por algo difícil ou só trocamos amenidades diariamente. Eu sou eu mesma, sim. Mas também sou os outros. Porque sempre que eu leio um livro, ouço um cantor por indicação de alguém ou qualquer outra coisa parecida, um pedaço dessa pessoa fica em mim. Querendo ou não, eu percebendo ou não. E, o principal, por mais que a pessoa se vá, aquela ínfima parte sua que ela inconscientemente ofereceu, ainda me pertence. E continuará pertencendo, mesmo que ela nunca volte. Assim, de certa forma é como se ela jamais houvesse ido, afinal. Eu sou ausências, partidas e desencontros. O amor dos que estão ao meu lado e tudo o que eu mesma ofereço a cada dia.  Eu sou o “Para Sempre” de todos os que mudaram a minha vida, independente do que tenha acontecido ou deixado de acontecer depois. E agora, você que está lendo essas palavras, é, também, um pouco de mim, nem que seja apenas através desse texto.

O meu maior medo

Eu tenho medo do fracasso, da solidão, da morte. Do fim de algumas coisas e do ressurgimento de outras. Medos. Muitos e diversos medos. Mas o maior deles, aquele que me faz pensar além de alguns minutos, talvez o mais profundo para alguém como eu, passa longe de tudo isso. Tenho medo da rotina. Essa palavra pequena, até mesmo gostosa de se dizer, às vezes. Rotina. Pode sugerir conforto, uma espécie de objetivo, quem sabe. Até mesmo segurança. Mas não é a essa que me refiro. Rotina, para mim, é comodismo. E é isso que me assombra. A rotina que apaga, que destrói pouco a pouco, ao mesmo tempo que aliena, seduz. Inércia e a promessa falha que depois se volta contra nós mesmos.

Eu tenho medo dos dias iguais, dos gestos mecânicos, da falta de calor. Das relações que se desgastam, das pessoas que se perdem e dos abraços que se desencontram até se transformarem em vazio. Dos beijos negligenciados, das palavras deixadas para depois ou dispensadas por já terem sido ditas muitas vezes antes. Como se o hoje fosse só uma extensão do ontem, do anteontem, em um eterno “mesmo”. Tenho medo do constante que justamente por ser constante perde o brilho e passa a ser menos que comum. Me assustam os hábitos simples que vão sendo deixados para trás, paulatinamente, até que não haja mais volta. Hábitos que faziam muito bem, que traziam sorrisos, engolidos pela pluralidade dos dias sem cor, onde tudo segue um roteiro apressado. Tenho medo de o que é espontâneo escoar por entre meus dedos como minúsculos grãos de areia impossíveis de deter. Medo de que a magia se perca, se esconda, se junte com a alegria e fuja para longe.

Eu tenho medo de perder as pessoas para a rotina, de não conseguir mantê-las comigo através do tempo que passa. De que elas cansem, se recolham sob o peso da convivência. De perder a mim mesma nesse meio tempo, também. A beleza, a sede de novidades que me empurra para frente. As surpresas e a vontade de mudar. Eu tenho medo de, no futuro, ser sufocada por compromissos, datas e horários. De me ver encurralada a ponto de sequer parar para pensar. Eu tenho medo de deixar de sentir a beleza de uma flor, a paz de uma brisa leve, o conforto do cheiro da chuva ou o amor dos animais. De a certa altura me encontrar presa em um labirinto sem fim onde falta tempo e sobram afazeres. Sim, tenho medo de tudo isso. Mas, na verdade, o que mais me apavora é estar presa em algo que não posso mudar, medo de já ser tarde. Ou pior ainda, ser possível fazer algo e, mesmo assim, eu me recusar. Tenho medo de, depois de tudo, eu simplesmente me conformar.

Apenas lembre-se

Ei, você. Você que partiu sem olhar para trás, que a vida afastou, que se foi e não há como voltar. Você que ficou em alguma das tantas esquinas, que foi vítima das circunstâncias ou protagonista da própria vontade. Você que não me vê há anos, há meses, você que nunca mais me verá. Ou que me vê todos os dias, mas ambos sabemos que algo se quebrou. Você, um estranho que talvez me conheça um pouco bem. Eu não peço muito. Eu só peço que se lembre. Lembre-se de como é o som da minha voz, das piadas bobas que eu fazia. De uma das minhas manias ou de que eu gostava de determinada banda. Lembre-se do meu sorriso e de como você me provocava por certas coisas. Lembre-se de que eu tinha um animal de estimação, ou que tivemos, entre nós, um apelido, quem sabe. De algum plano maluco que fizemos ou dos possíveis segredos sussurrados. Lembre-se das minhas obcessões passageiras ou do meu entusiasmo com as coisas pequenas, como datas, por exemplo.

Não precisa se lembrar nem da metade, muito menos ficar pensando sobre quaisquer recordações fugazes. Apenas lembre, às vezes. de passagem, mesmo que somente durante breves instantes de pensamentos aleatórios. Lembre-se daquela nossa conversa marcante, bem séria. Ou do meu raro desabafo, ou ainda de quando eu ouvia você e tentava ajudar. Lembre-se, talvez, de algo que eu tenha dito, ou de um momento em particular que eu nunca saberei que foi significativo para você. Lembre-se de quando cantamos, de quando choramos, de quando contamos histórias longas e loucas. Lembre-se de como eu mexia no cabelo ou das nossas bagunças e papos no telefone que duravam horas. Lembre-se daquela vez, ou daquela outra. Da nossa caminhada, do jogo que jogávamos ou das madrugadas frias e tardes ensolaradas. Lembre-se de nada específico, mas lembre-se.

Não precisa me procurar para conversar, concertar, nem para contar que pensou em mim e sentiu nostalgia. O que eu peço é simples. Só, lembre-se. Por favor, lembre-se. De qualquer detalhe, de qualquer minúcia insignificante, ou do sentimento, da cumplicidade, qualquer coisa que tivemos. Recorde como fomos íntimos e uma das tantas coisas que fizemos. Não me esqueça, nesses milhares de voltas que o universo dá. Me mantenha no fundo de algum baú trancado, mas me mantenha com você, do jeito que for. Lembre-se. Lembre-se de mim. Lembre-se de nós. Porque eu lembro de você. Sempre. De vocês, de todos vocês. Que chegaram, me transformaram, e por mais que tenham partido, permanecem aqui.

Tudo o que eu não prometo

Não prometo ser sempre a melhor companhia, mas terei paciência com você quando necessário. De manhã, nas noites em que estiver cansado e estressado, nas fases em que você se afasta. Darei mais carinho que o normal em todos os seus piores dias, compreensão, um abraço apertado e uma boa massagem. Nem prometo não me irritar com as coisas pequenas, mas teremos as melhores reconsiliações, no que depender de mim. Eu não prometo ler seus pensamentos, adivinhar suas vontades ou qualquer coisa semelhante. Mas tentarei perguntar como você se sente, o que acha e o que quer fazer. E muito mais. Perguntar tudo o que você quiser responder, embora às vezes não seja diretamente. Aliás, também não prometo saber me expressar, muito menos fazer declarações lindas e verborrágicas. Mas você terá para si toda a minha criatividade e esforço. Nos presentes, nos passatempos estranhos e nas cantorias ao pé do ouvido, sem garantia de afinação, é claro. cuidarei de você e lembrarei de todas as pequenas coisas que lhe fazem feliz. E pode esperar muitas, muitas surpresas. Surpresas o tempo todo.

Eu não prometo deixar o orgulho de lado, esquecer a teimosia ou ser menos ciumenta. Mas lhe direi todos os dias como eu gosto de você e qual o seu significado na minha vida. Deixarei claro como quero ser melhor por mim, por você. Por nós e pelo que temos e podemos ter. No entanto, também não prometo mudar apenas para melhor. Mas estou aberta a críticas e diálogo, muito diálogo. Apesar de eu não ser tão falante assim. Inclusive, eu não prometo puxar assunto, ter iniciativa ou estar de bom humor. Principalmente o último. Eu não prometo ser alguém fácil de conviver, sequer alguém que valha a pena. Sou complicada mesmo, mas sei bem o que quero. Eu não prometo não irritar você, nem nunca deixar-lhe triste ou rir dos seus ciúmes excessivos. Mas não terei problema em pedir desculpas. Mil vezes, caso seja preciso. Na verdade, provavelmente terei, sim. Mas será por você, afinal. E beijarei seus lábios nesses momentos. E depois, sempre que possível. E mais, se você quiser.

Eu não prometo não fugir, de vez enquando. Não me esconder, querer ter um tempo só meu. Mas também não posso prometer não precisar de você. Não ficar manhosa e querendo colo. Em contrapartida, você tem de mim quanto carinho desejar ter, o dobro disso. Eu não prometo nunca partir, mas garanto que, se ocorrer, não será por vontade própria, nem sem lutar ao menos um pouco. Não prometo fazer sentido, ser suficiente, ser o que você espera. mesmo isso sendo o que mais desejo. Eu prometo não prometer nada. E, a cada dia, tentar ser tudo o que você precisa. Amor não se promete, mas saiba que se você pedir, eu prometo. Porque sei que isso posso cumprir. Longe ou perto, hoje, amanhã ou daqui a cinco anos. Nos dias bons, nos ruins, nos insuportáveis. Enquanto você me quiser, eu estou aqui. E isso não precisa ser uma promessa. Apenas uma certeza.