Eu, modo de usar

Pode vir sem medo, prometo. Mas tenha calma, em alguns dias mais do que em outros. Venha sempre, me encanta o que nasce aos poucos. Não se assuste, eu posso ser arisca, às vezes. Nada que um pouco de carinho não resolva. Aliás, me dê muito carinho. O tempo todo, se possível. Aquele carinho sutil, que quase passa despercebido, e diz, simplesmente, “Estou aqui”. Não grite, tente ser delicado… Sou meio frágil. Mas quando chegar a hora, aja. E me obrigue a ter um pouco mais de iniciativa, se for preciso. Sou distraída e dispersa, também. Caso seja necessário, me sacuda de volta ao mundo real. Ao mesmo tempo, nas situações em que me tornar muito racional e pessimista, sonhe um pouco comigo, também. Me faça sair algumas vezes, mesmo que eu me recuse. Mande em mim. Se for por uma boa causa, eu deixo. Me provoque, me irrite de um jeito bom, e depois ria. Mas não reclame se eu quiser me vingar. Perdoe meu mau humor, mas cobre uma compensação depois. Criatividade é sempre bom.

Deixe eu me cobrir no verão e tomar café frio no inverno. Mas não perca a piada, nem o controle. Quer dizer, perca o controle sim, faz parte. E perca a linha, quando estiver nos meus braços. Ache as coisas na minha bagunça, por favor. Releve a desorganização, principalmente a interna. Entenda que em alguns casos não quero conversar e não é nada com você. Mas se eu pedir para sair, fique mesmo assim, nem que em silêncio. Não precisa saber ler todos os meus sinais, só ajudar a construir os nossos. Eu gosto de significados. De datas, de presentes… E de surpresas. Me dê batons, mas só se for para borrá-los em seguida. E muitas vezes ainda. Seja menino, homem. Seja um pouco meu, muito seu e o que você quiser. Mas seja, sobretudo, constante.

Tenha preferências, manias e vontades peculiares, mas nada tão definido assim que não possa mudar. Defenda o que ama com fervor, eu gosto disso. E gosto de abraços apertados, de mãos dadas, de carícia no cabelo. Gosto de fazer coisas que você gosta, então me diga todas elas. Não, todas não. Melhor ainda, algumas posso descobrir muito bem sozinha. Beba, cante, desafine e me derreta. Declare-se nos detalhes… Mas fale também, afinal, eu sou uma romântica mal disfarçada. Se revele… Quero ver você nervoso, triste, precisando de algo que só eu tenho, quem sabe. Não brigue comigo pelas noites em claro, embora isso seja um tanto quanto negociável.

Tenha amigos e segredos bons. Tenha ciúmes, por que não? Mas aguente os meus, também. Goste de praia, de agitação e de festas. De brigadeiro de colher, de filminho em um dia gelado. De beijo roubado e aconchego com cafuné. Implique por causa de futebol ou qualquer outra coisa assim irrelevante, nada como uma discussãozinha saudável. Não fume, nem faça ciúmes. Não fuja de mim. Me ganhe, me enlouqueça do melhor jeito que há. Me abrace, enlace, entrelace e não solte mais. E se tudo isso for demais para você… Apenas tente me amar!

Nota: Assim como Esse aqui, esse post também foi inspirado por uma crônica da maravilhosa Martha Medeiros, de quem sou muito fã. Aprecie aqui

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3 comentários sobre “Eu, modo de usar

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